quinta-feira, 15 de maio de 2014

LEGIÃO DE MARIA - O DESAFIO DA FÉ


                                              O desafio da fé


Acreditar e entregar a vida nas mãos de Deus pela fé, não é tão simples. É um desafio, é um pouco exigente. Pois crer, e se entregar ao que não é possível ver e tocar é realmente um desafio para o ser humano. Podemos perceber isso quando nos deparamos com uma novidade. Nossa reação é a de querer explorar ao máximo, não se contentar em apenas com a informação de um dos nossos sentidos, ou seja: “ver” penas com os olhos. Sentimos a necessidade de “ver” também com as mãos. Por isso que quando vamos a uma exposição de arte, sempre encontramos em torno da obra uma “cerquinha”, para que as pessoas não toquem. Às vezes tem até uma placa pedindo para não tocar. Isso faz parte da nossa natureza, é muito forte em nós. A criança que está descobrindo o mundo além de ver, quer pegar. E se não bastasse, precisa colocar na boca pra sentir o gosto. E depois, ainda fica segurando um tempão bem firmemente em suas mãos, se alguém tirar, ela chora.

Por isso que a fé é um grande desafio para nós, pois a maior esperança da nossa vida, nossos sonhos, desejos e projetos são colocados em algo que não nos parece nada concreto, na fé em Deus. É pelo caminho da fé, que Deus quis que nos encontrássemos com Ele. E fé não é algo concreto que podemos ver, tocar, colocar na boca ou segurar. Não é uma posse. Na verdade, é ela que nos possui, pois a ela nos entregamos.

Tomé representa o ser humano diante desse desafio (cf. Jo 20,19-31). No personagem “Tomé”, vemos claramente essa característica e necessidade humana de ter uma experiência concreta para poder confiar. Por isso confiamos tanto na ciência e em suas demonstrações, contudo temos dificuldade de nos entregarmos plenamente à fé em Deus.

Os companheiros de Tomé tiveram uma experiência com Jesus e disseram a ele: “nós vimos o senhor”. Como Tomé não teve uma experiência parecida, ele não conseguiu acreditar: “se eu não o vir e nem toca-lo não acreditarei”. Essa é uma tendência comum em todos nós

Então como podemos superar essa nossa dificuldade de acreditar, de nos lançarmos na fé e confiar plenamente em Deus? A resposta está também com o personagem Tomé. É preciso ter uma experiência com o Cristo, assim como Tomé teve. E isso só é possível se estivermos em comunidade.

Tomé só pôde ter a experiência com o Cristo ressuscitado quando estava junto com a comunidade. Nossa experiência com Cristo acontece através dela. Não quer dizer não possamos ter uma quando estamos sozinhos, mas o que eu o Evangelho mostra, é que a entrega à fé se torna mais fácil, quando estamos em comunidade, pois nela é onde o Espírito é soprado, onde Deus derrama a sua paz.

Quando se está em comunidade, enfrentam-se os problemas, celebram-se festas e pode-se ver a ação de Deus com maior clareza de fé. É a comunidade que nos coloca diante de Jesus para que possamos ter uma experiência com Ele. Se nos afastamos dela, perdemos a oportunidade de viver as experiências que ele a proporciona, e assim a entrega à fé é mais difícil. Ouviremos nossos irmãos dizendo que viram o Senhor, mas não acreditaremos. É preciso participar da experiência da comunidade para fortalecer nossa fé.

Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.
http://www.sabordafe.com

terça-feira, 13 de maio de 2014

SALVE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA!!!



Hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.  No dia 13 de maio de 1917, na Cova da Iria, em Fátima, a Mãe de Jesus apareceu a três pastorinhos portugueses: Lúcia, de 10 anos, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7.

A Senhora marcou com eles um encontro para os dias 13 dos meses seguintes.;  A 13 de outubro mil pessoas testemunharam o Milagre do Sol, que se moveu como se estivesse caindo sobre a Terra, crescendo em chamas multicores.

A mensagem da Senhora de Fátima é simples e acessível a todos.  Resume-se em: rezem o terço todos os dias; rezem muito e façam sacrifícios pelos pobres pecadores; a guerra vai logo acabar, mas se não pararem de ofender ao Senhor não passará muito tempo para vir outra pior; abandonem o pecado de suas próprias vidas e procurem eliminá-lo da vida dos outros, colaborando com a Redenção do Salvador

A festa da primeira aparição de Nossa Senhora do Rosário é, portanto, um  convite à oração e à conversão, núcleo da mensagem mariana de Fátima.


Fonte: "Nossos Santos de Cada Dia"; Dom Edson de Castro Homem; Ed. Casa da Palavra

MARIA MÃE DE DEUS E NOSSA




SEU NOME...  MARIA, MÃE DE DEUS E NOSSA.

O mês de maio chega e traz mais forte a presença de Maria. O nome cativante da menina escolhida, da esposa de José, da mãe de Jesus Redentor.  Presença e modelo de fé, de confiança, de entrega total aos desígnios de Deus. Maria está no coração-lar que a queira abrigar.

O nome de Maria concentra muitos significados, quem sabe, é um código instalado na Criação pela sabedoria do Criador. Porque quando escolheu aquela menina, sabia que, ela como mãe estaria “vivendo” as vicissitudes da vida, sempre conosco, dando-nos o amparo necessário.

Maria nos entende. Os cuidados, a manutenção de sua casa, os proventos, a atenção que reservou a Jesus e a José, protegendo a Sagrada Família, foram e são os mesmos hoje, os que devemos oferecer às nossas próprias famílias. A especial participação da Mãe de Jesus na obra da Redenção, não a eximiu do trabalho, do suor e da luta. 

Maria igual a tantas Marias que vivem, enfrentam, aguentam, pois têm fé na vida, a vida que Deus nos dá. É bonito saber que toda mulher possui a centelha divina de Maria.

Maria é o nome que conta histórias: de Nazaré, de Guadalupe, de Fátima e de tantos outros lugares que escolheu visitar. Sente as Dores, ouve os clamores. Sempre será o Perpétuo Socorro dos aflitos, doentes e abandonados. Intercede Desatando os nós da vida, junto a Divina Providência, porque lhe é abundante a Graça de Deus, são raios de Luz iluminando os caminhos e fortalecendo nossa esperança. Bendita é a Senhora Aparecida das águas.  Maria Nossa Senhora e Nossa Mãe.

Neste mês de maio saudamos a Virgem de Fátima, no dia 13. Que possamos alegrar nossos corações com sua presença, crer e crescer na fé, na esperança e no amor.


Maria Eulália Mello

Fonte: Jornal O REDENTOR - paróquia Santo Afonso Tijuca, RJ


quinta-feira, 8 de maio de 2014

METAMORFOSE



O tempo atual configura-se cada vez mais como época das grandes transformações. Mudanças que mostram inegáveis avanços no mundo técnico, científico, humano e espiritual. Em sua pluralidade de visões, de manifestações, de culturas a raça humana revela sinais de uma capacidade impressionante de construir o bem, a fraternidade, a boa convivência em parcerias variadas. Bendito seja essa era das comunicações, das redes virtuais, das facilidades de transitar pelo planeta sem tantas dificuldades. Como não ficar feliz com tamanhas conquistas, com o esplendor das variadas novidades!

Todavia, ingênuo seria aquele que não reconhecesse as sombras, as dificuldades que amargam a vida em suas facetas mais variadas. A desigualdade certamente é uma das mais gritantes. Absurdo o que uns acumulam em detrimento de outros. A distância abissal entre ricos e pobres enfraquece qualquer projeto de crescimento e de paz. Difícil imaginar um bom futuro se o racismo é insistente. Mais difícil ainda é assistir as ilusórias campanhas, absolutamente passageiras, com ares de alegria porque milhões curtiram, em poucas horas, um gesto, uma foto. No outro dia? Sem nenhuma notícia, a exploração continua agressiva a espera de mais holofote que elege como digno de brilho alguma outra postura isolada.  Cultura, atitudes não se mudam no final de um dia como se fosse a roupa do corpo. A conversão exige a lenta formação da consciência. É empenho de sempre porque o novo pede compromisso, um contínuo gastar a vida.

Um estudioso que conjuga bem filosofia e religião chama esse cenário de caos-gênese. Momento complexo, entretanto positivo e que interpela o ser humano a dar novas respostas para seus problemas. Como a lagarta que, num processo lento, progressivo, paciente, encanta o espaço com o voo de uma linda borboleta, as mudanças grandes, no coração humano, não podem acontecer apenas na magia dos espaços virtuais. Elas exigem relações, presença, posturas existenciais. Necessitam investimento paciente, diário e a certeza de uma demora geradora. As apressadas promessas de felicidade que insistem em chegar por todos os lados não são compatíveis com as verdadeiras metamorfoses. O que os novos cenários parecem esperar é o encantamento pelo milagre que é a vida, um dom que merece respeito e cuidado.

Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R
Superior da Província Redentorista do Rio



sexta-feira, 18 de abril de 2014

LEGIÃO DE MARIA - A VIA SACRA

   

 Existe em Jerusalém uma rua que se chama “Via Dolorosa”. É o caminho que todo grupo de peregrinos faz questão de percorrer levando uma grande cruz, que cada qual carrega numa parte do trajeto. Pouco importa se é preciso atravessar o movimentado sukh árabe, mercado de ruas estreitas, em meio à indiferença e ao desrespeito. Foi por aí que passou Jesus andando penosamente os 500 metros que separam o pretório de Pilatos do Calvário. Enquanto a gente vai pisando as pedras molhadas com seu suor e sangue, vai meditando e revivendo o Mistério Pascal, centro de nossa fé, chorando os pecados como Pedro, aprendendo a ser solidário como o Cireneu e a Verônica, abrindo-se como o Bom Ladrão à fé no Messias sofredor, para estar junto à cruz como Maria e o discípulo amado, e ali acolher com eles a Palavra que salva, o Sangue que purifica, o Espírito que dá a vida.     
       Os peregrinos que desde os primeiros séculos visitaram os Lugares Santos da Paixão, voltavam para suas terras com o desejo de reproduzir em suas próprias igrejas aquele caminho que tinham percorrido em Jerusalém. Daí nasceu a Via Sacra, ou “Caminho Sagrado”, em torno do século XIII, tempo de São Bernardo e São Francisco de Assis. Quando se estendeu a toda a Igreja do Ocidente, no século XV, era ainda variável o número e o conteúdo das estações, sendo fixado definitivamente em 14, pelo Papa Bento XIV, no século XVIII. Recentemente acrescentou-se a décima quinta estação, para celebrar a Ressurreição de Jesus, complemento imprescindível da sua morte na cruz.
        Você já notou que, quando assiste na TV à Via Sacra do Coliseu presidida pelo Papa na noite de Sexta-Feira Santa, as estações não são as mesmas que nós conhecemos? Ele segue a chamada Via Sacra bíblica, que João Paulo II presidiu pela primeira vez no Coliseu no ano 1991. Esta Via Sacra substitui aquelas estações que não têm referência nos Evangelhos (as 3 quedas de Jesus, seu encontro com Maria e com a Verônica) por cenas descritas pelos Evangelistas. Mas ambas as formas, a tradicional e a bíblica, continuam em vigor na Igreja.
        Aqui está um quadro comparativo para você entender as diferenças:

Via Sacra tradicional                                     Via Sacra bíblica

1. Jesus é condenado à morte                        1. Jesus no Horto das Oliveiras
2. Jesus recebe a cruz para carregar            2. Jesus traído por Judas e preso
3. Jesus cai pela primeira vez                        3. O Sinédrio condena Jesus
4. Jesus encontra sua mãe Maria                  4. Pedro nega Jesus três vezes
5. O Cireneu leva a cruz de Jesus                  5. Jesus é entregue a Pilatos
6. Verônica enxuga o rosto de Jesus              6. Flagelação e coroação de espinhos
7. Jesus cai segunda vez                                7. Jesus recebe a cruz
8. Jesus consola as mulheres de Jerusalém   8. O Cireneu leva a cruz de Jesus
9. Jesus cai terceira vez                                 9. Jesus e as mulheres de Jerusalém
10. Jesus é despojado das vestes                   10. Jesus é pregado na cruz
11. Jesus é pregado na cruz                          11. Diálogo com o Bom Ladrão
12. Morte de Jesus na cruz                            12. Maria e João junto à cruz
13. Jesus é descido da cruz                            13. Morte de Jesus na cruz
14. Jesus é sepultado.                                    14. Jesus é sepultado.
                                                          
     A Via-sacra pode ser rezada durante todo o ano litúrgico, mas adquire um significado especial durante a Quaresma. E quando a realizamos caminhando, tomamos mais consciência de nossa condição de discípulos seguidores de Jesus.
      Em cada Via Sacra se reflete sobre os sofrimentos do nosso tempo e por isso ela nunca deixará de ser atual, pois toda dor da humanidade é continuação da Paixão de Cristo: “Onde sofre teu irmão, eu estou sofrendo nele”.
      Termino com duas perguntas. Você sabia que Santo Afonso, mesmo na mais extrema velhice, não deixava de fazer a Via Sacra diariamente, percorrendo em sua cadeira de rodas as 14 estações no corredor do convento?
      Você já viu, na Via Sacra da nossa igreja, que a figura de Maria está presente em todos os quadros, em todas as estações? Bela maneira com que o pintor Carlos Oswald retratou a constante participação da Mãe na obra redentora do Filho. Também nisto ela é modelo para todos nós, filhos seus.

Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

LEGIÃO DE MARIA - PAPA FRANCISCO: "O diabo existe também no século XXI"



Papa na missa matutina: "O diabo existe também no século XXI. Aprendamos do Evangelho a combatê-lo"                                        11/04/2014


A homilia desta sexta-feira foi toda dedicada à luta contra o demônio. “A vida de Jesus foi uma luta. Ele veio para vencer o mal”, disse o Pontífice, que advertiu: trata-se, porém, de uma luta que todo cristão deve enfrentar. 

“Também nós somos tentados, também nós somos objeto do ataque do demônio, porque o espírito do Mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não quer que sejamos discípulos de Jesus. E como faz o espírito do Mal para nos afastar da estrada de Jesus com a sua tentação? A tentação do demônio tem três características e nós devemos conhecê-las para não cair nas ciladas. A tentação começa levemente, mas cresce: cresce sempre. Depois, cresce e contagia outra pessoa, passa a outro, tenta ser comunitária. E, no final, para tranquilizar a alma, se justifica. Cresce, contagia e se justifica”.

A tentação, observou o Papa, parece uma sedução. Quando é rejeitada, cresce e se torna mais forte, envolvendo outras pessoas. Assim aconteceu com Jesus, o demônio envolveu os seus inimigos. Quando Ele fala na Sinagoga, seus inimigos tentam menosprezá-lo, dizendo: “Mas este é o filho de José, o carpinteiro, o filho de Maria! Nunca foi à Universidade! Mas com qual a autoridade fala? Não estudou!”. A tentação, disse, “envolveu todos contra Jesus”. E o momento “mais forte da justificação é o do sacerdote”, quando diz: “Não sabem que é melhor que um homem morra para salvar o seu povo?”: 
“Temos uma tentação que cresce: cresce e contagia os outros. Pensemos numa intriga, por exemplo: sinto inveja de uma pessoa. Primeiro é um sentimento pessoal, mas depois tenho que compartilhá-lo com o outro. Cresce e vai contagiando… Mas este é o mecanismo das intrigas e todos nós somos tentados a fazê-las! Talvez alguns de vocês não, se são santos, mas também eu sinto esta tentação! É uma tentação cotidiana. Mas começa assim, suavemente. Depois cresce e, no fim, se justifica”.

Estejamos atentos, disse ainda o Pontífice. “Quando no nosso coração sentirmos algo que acabará por destruir as pessoas, se não pararmos a tempo, esse sentimento crescerá e nos restará justificar: 

“Todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, a nossa vida cristã, é uma luta: uma luta. Porque o príncipe deste mundo – o diabo – não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo. Alguém de vocês, talvez, poderá dizer: ‘Mas, Padre, como o senhor é antigo, falar do diabo no século XXI!’. Mas, olhem que o diabo existe. Existe. Inclusive no século XXI! E não devemos ser ingênuos, eh? Devemos aprender do Evangelho como se faz a luta contra ele”.

                                                                                   Fonte: Rádio Vaticano 






segunda-feira, 14 de abril de 2014

LEGIÃO DE MARIA - PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO



Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo (Jo 17, 24)                                 

Amado irmão e irmã, aproximam-se os dias em que vivenciaremos em Cristo aquilo que experimentamos no decorrer de nossa vida. Trata-se da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Mestre. O mistério de nossa vida ganha sentido quando ampliamos a nossa capacidade de compreender as relações humanas e captamos que, estando em comunhão com Jesus, adentramos no santuário sagrado de Deus.

O Tríduo Pascal apresenta para nós, com intensidade, o drama de toda a vida de Jesus. É Deus quem se rebaixa à condição humana, conforme nos diz São Paulo na carta aos Filipenses 2, 7-9. Ao assumir a nossa fragilidade, Jesus abraçou as realidades que enfrentamos no cotidiano e nos ensinou a não fugir das tentações, mas a enfrentá-las. Nosso Senhor não foi poupado de ironias, sarcasmos e inveja. A sua profunda intimidade com o Pai lhe possibilitou o equilíbrio emocional para lidar tanto com os que o desprezavam quanto com os que o amavam de forma sensata e perspicaz.

Em nosso dia a dia, nos deparamos com pessoas que nos amam e com outras que não nos amam como gostaríamos. Os ensinamentos de Jesus acerca do amor sem limites exigem amadurecimento de cada cristão, a fim de que seja uma pessoa equilibrada como o Mestre. Essa exigência nos faz pessoas dialogáveis e amorosas. Entretanto, vendo a realidade ao nosso redor, percebemos que muitos cristãos e cristãs ainda não experimentaram a Kenosis, ou seja, não assumiram a sua humanidade. Em termos concretos, assumir a humanidade é reconhecer que somos todos iguais, independente do sexo, da cor, da cultura etc.

Os dias sagrados da Semana Santa já não mobilizam mais os cristãos e a sociedade como em tempos passados. Infelizmente, mais uma vez o culto exagerado ao dinheiro, com suas ofertas sedutoras, retira as pessoas do recolhimento espiritual e transforma tudo em festa, consumo e ostentação. Contudo, cada um de nós experimenta, no decorrer do ano, dias de silêncio, solidão e dor. Isso se dá quando somos discriminados, injustiçados, desrespeitados, quando nos deparamos com a doença de alguém próximo a nós ou quando falece alguém que a gente ama muito. É dessa forma que a Paixão de Jesus é vivida por cada um.

A maior festa judaica e cristã é a Páscoa. Para os judeus, é a celebração da libertação da escravidão no Egito; e para nós, cristãos, é a celebração da libertação da morte. Em Jesus, que se rebaixa à condição humana, inclusive na morte, e morte violenta, está a nossa grande esperança: a vitória da vida sobre a morte. A ressurreição é a certeza de que vale a pena nos esforçarmos e até nos sacrificarmos para gerar e facilitar uma convivência harmoniosa entre as pessoas.

Ao contemplar Jesus de Nazaré nos dias fatídicos que antecedem a sua morte, deixo um apelo para você: seja solidário com quem sofre. Busque se colocar junto do Mestre, que serve a todos sem distinção. Sinta o coração amoroso dele no seu e também a angústia que lhe perpassou a alma. Penetre com seu olhar a realidade crua do mundo que conspira contra você, mas não fique paralisado e nem caído debaixo da cruz. Levante-se de suas quedas, pois você não é perfeito. Busque o perdão, como Pedro. Não se desespere, como Judas. Sempre existirá um Simão Cirineu para auxiliá-lo.

Enfim, faço um convite delicado: esteja com o Cristo onde ele estiver – Jardim das Oliveiras, sinédrio, prisão, calvário etc. Deus, em sua extrema benevolência e gratuidade, não poupará meios de estar ao seu lado, onde você estiver, mesmo que você não esteja mais sentindo, como aconteceu com Nosso Senhor quando foi retirado da cruz e colocado no colo de Maria, nossa amada mãe do céu. Saiba que, quando tudo parecer perdido, a luz da passagem para uma vida melhor começará a brilhar. Sem a escravidão do ser humano, ele estará livre para viver a Páscoa. Essa liberdade iluminada e redentora é a vida, que começa na terra e se plenifica na eternidade de Deus!

Pe. Luís Carlos de Carvalho Silva, CSsR


sábado, 12 de abril de 2014

LEGIÃO DE MARIA -DOMINGO DE RAMOS



O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus agitando seus ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas".

 Os ramos apresentados pelo povo nos remetem ao sacramento do batismo, por intermédio do qual nos tornamos filhos de Deus e responsáveis pela missão da nossa Igreja. E o ato de levarmos os ramos para casa nos lembra que estamos unidos a Cristo na luta pela salvação do mundo.

A Procissão de Ramos tem como objetivo apresentar a peregrinação que cada cristão realiza sobre a Terra buscando a vida eterna ao lado do Senhor. Esse ato nos faz relembrar que somos peregrinos neste mundo e que o céu é o lugar de onde viemos e para onde devemos voltar.

Por fim, a Santa Missa do Domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a Paixão de Jesus: Sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos nas mãos dos soldados na casa de Anãs, Caifás; Seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, Sua condenação, o povo a vociferar “crucifica-o, crucifica-o”; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do homem cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, o diálogo d'Ele com o bom ladrão, Sua morte e sepultura.

O Mestre nos ensina com fatos e exemplos que o Seu Reino, de fato, não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas para derrubar um inimigo muito pior e invisível, o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruí-la; perder a vida para ganhá-la.

Professor Felipe Aquino

quarta-feira, 9 de abril de 2014

LEGIÃO DE MARIA - LIBERDADE PASCAL


Sem o sopro do criador, o que seria da criatura? Pulsar errante de aspirações sem destino, não mais. No limiar de avanços tão sólidos, dos quais o homem atual dá testemunho, no fundo permanecem os mesmos anseios de sempre. Eles têm cheiro de uma vontade que, em si mesma, não encontra razões suficientes que explicitem o sentido último de tudo. Na pequenez da história, tão miúda, que se esvai com o passar dos dias, dorme a expectativa do que virá depois do horizonte. Sem tal esperança de um depois, o agora ficaria empobrecido, prisioneiro de suas estreitezas, órfão de sentido mais profundo. Sem a confiança na Páscoa, o fim seria um desenho bem absurdo. Ela faz irromper um registro diferente que ilumina a história, fazendo-a germe de boa nova, de um sorriso no meio das dificuldades. Da trajetória do Cristo, concretização do amor, aprende-se que sem o dedo de Deus, a humanidade nem sequer sonhariam o bem. Rompida a amigável relação com o céu, a terra não possuiria fôlego para continuar produzindo seus frutos. Seria apenas pó, acomodada ao fluxo passageiro, sem aspirações maiores. Do mesmo modo, a liberdade humana não seria livre, de verdade, não fosse assumida por uma liberdade amorosa maior.

“Ele vive!” (Lc 24, 5), é o grande aceno pascal. Aquele que faz viver, fonte perene, é alicerce para a construção de laços existenciais sólidos. Quem pode, na morte, fazer viver? Os homens, não, certamente. Apesar de não apresentar certezas científicas, com provas materiais, ela, a ressurreição, é muito mais. Sua força consiste em extrapolar aquilo que é palpável. Exatamente por não ter provas materiais, guarda o que pertence somente a Deus, o dom da vida. Tão forte que desperta no coração humilde, sentimentos de ir adiante. É a instituição da esperança; interlocutora e irmã da liberdade humana. Aquele que vive, faz florescer o amor; fertiliza outras formas amorosas, limitadas, para que cresçam, numa dança alegre ao som de uma música que elas mesmas não possuem. Uma liberdade menor, sem outra liberdade maior teria fronteiras bem restritas. Forma mais plena do bem não haveria se essa que cria e recria, ao atravessar as barreiras do vazio silencioso da morte, não fosse reconhecida e buscada. Sem o encontro com o Outro, interpelador, provocador, a liberdade humana estaria presa em sua autossuficiência finita, ao seguir suas próprias intuições. Estaria satisfeita com o findar existencial imposto pelo frio de um túmulo. Todavia, não! A esperança, dom inquieto, inaugura novas formas de viver porque tem raízes divinas.

De algum modo, não será estranho confessar que o além tem vocação que inspira as buscas cotidianas. As críticas feitas à fé talvez não sejam pela grandeza do que nela se encontra, entretanto pelas formas desordenadas das várias crenças e de seus excessos. A fé em Cristo ressuscitado, por exemplo, eleva a humanidade em dignidade, palavra tão almejada mesmo no senso mais comum. Não aliena; liberta. Suavemente sugere caminho fraterno; exorcismo da violência. Propõe a paz com aquilo que é mais fundamental na vida de todos: a finitude, sem desastrosos desesperos. Elege Deus como instância única a ser reverenciada, não por causa da insignificância da criatura, entretanto pela grandeza que ela possui ao ser porta voz do criador. Do contrário, alguém, algum grupo estaria sempre de prontidão para assumir lugares de mandos absolutos, com as mais plausíveis justificativas. Ressurreição pode significar uma longa estrada de paz, a defesa constante da sacralidade de tudo que existe, desde que acolhido como graça benfazeja.

 Pe. Vicente de Paula Ferreira, C.Ss.R.




sexta-feira, 4 de abril de 2014

SOLENIDADE LEGIONÁRIA - ACIES 2014




A  Acies do Comitium Causa Nostrae Laetitiae, da Tijuca, RJ, aconteceu no domingo, dia 30 de março na Paróquia Sangue de Cristo.  A Acies é a solenidade mais importante da Legião de Maria, e todo legionário, deve renovar, anualmente, sua consagração  à Nossa Senhora.

A renovação dos votos  aconteceu durante a santa missa, presidida pelo páraco, Pe. Pedro Nunes, que também fez a sua consagração à Maria junto do legionário, e agora, seminarista Felipe Cinelli.  Ele deixou o Praesidium “Causa de Nossa Alegria”, da paróquia Santo Afonso, em fevereiro para ingressar no Seminário Propedêutico.  Ficará, preliminarmente, a serviço  da paróquia Sangue de Cristo. 












Foi um presente  e  um carinho da Virgem Santíssima com o Praesidium e com o irmão que encontrou sua vocação:  estarem juntos nesta Acies do Comitium da Tijuca.




O legionário é uma prova de amor.  Deixamos de lado o cansaço, as tarefas cotidianas, tantas razões que poderiam ser  justificativas para não estarmos presentes nos compromissos. Unidos entregamos nosso amor, nosso viver à Mãe de Jesus. Renovamos nosso “sim” a Maria, com ânimo e vigor, tendo a certeza  do valor do servir, e, da gratidão  da Mãe do Céu, que nos cumula de graças.

Salve Maria!


Texto e fotos:  Maria Eulália

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sexta-feira, 28 de março de 2014

LEGIÃO DE MARIA - ORAÇÃO


A Oração
Se você consegue reservar um tempo exclusivo para Deus, parabéns, pois isto é considerado uma conquista. Hoje em dia, cada vez mais, é preciso travar uma luta diante de tanta concorrência. Mas para quem tem fé, estar em oração deveria ser o principal momento do dia, pois é o momento dedicado ao que é essencial, ao que preenche o existir, e dá sentido para vida.
É importante que a oração seja o principal momento do dia, ou seja, o momento de maior disposição. Se a oração é colocada no lugar principal do dia, esta irá pautar todas as outras horas. Neste sentido, podemos dizer que a oração é capaz de “fazer” a pessoa.
Em oração, a pessoa se põe de maneira mais atenta às moções interiores e aos movimentos internos que o fiel acredita ser inspiração de Deus. A oração pode se identificar como consolação e paz, mas pode ser também um momento de deserto e de luta com Deus. Na verdade, não há um padrão, pois Deus não age sempre da mesma maneira.
A experiência da maioria dos que oram é a de que Deus age de forma muito “suave”, não é de experiências extraordinárias. Temos uma ilustração disto no relato da experiência de Elias na montanha (1Rs 19, 11-13). Porém, não podemos dizer que no extraordinário Deus não esteja. Por isso é preciso estar atento, pois a ação de Deus pode passar despercebida e a pessoa achar que Deus não agiu, mas Ele sempre age.
O discernimento e o reconhecimento de uma ação divina se dá na prática, na experiência, no esforço de estar ao lado do mestre aprendendo dele, assim como os discípulos viviam junto a Jesus. A oração nos faz ter intimidade com Deus e reconhecer a sua ação. As ovelhas conhecem o seu pastor e por isso escutam a sua voz.

Fagner Dalbem Mapa C.Ss.R.

terça-feira, 25 de março de 2014

ANUNCIAÇÃO DO SENHOR - 25 de março


Hoje é dia da Anunciação do Senhor.  O evangelista São Lucas descreve o fato, lembrando que, no sexto mês, a contar da concepção de João, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a Nazaré, a uma virgem chamada Maria.  Ele a saudou, dizendo: "Alegra-te cheia, de graça, o Senhor está contigo.  Não temas, Maria! Encontraste graça junto a Deus.  Eis que conceberás no teu seio e darás a luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus."  Maria responde ao mensageiro: "Eu sou a serva do Senhor.  Faça-se em mim segundo a tua palavra!"

Portanto, o dia de hoje celebra o anúncio do nascimento de Jesus, feito a Maria, e a resposta de Maria.  Celebra também o modo pelo qual a Encarnação aconteceria, segundo a pergunta de Maria: " Como é que vai ser isso?" Ao que responde o anjo: "O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra, por isso, o Santo que nascer de ti será chamado filho de Deus."

Por conseguinte, no mistério da encarnação o anjo demonstra em Maria a atuação das pessoas de Santíssima Trindade.  Nossa Senhora, no mistério da Encarnação do Senhor, é modelo de humildade, de obediência, de serviço e de cooperação.


Fonte:  "Nossos Santos de Cada Dia", Dom Edson de Castro Homem, Ed. Casa da Palavra

sexta-feira, 21 de março de 2014

LEGIÃO DE MARIA - À ESPERA DO SOL



Ter fé é olhar para o céu nublado e acreditar que atrás das nuvens há um sol que nos ilumina. Porém há uma grande diferença entre crê em Deus e crê que há um sol por detrás das nuvens. Pois o sol pode ser provado e demonstrado, mas não é possível provar a existência de Deus. Crer em Deus é como sentir o calor e experimentar do seu brilho que ilumina o caminho, mas ao levantar a cabeça e olhar para o céu só vermos as nuvens.
A “noite” também pode servir de metáfora para a fé. Na verdade, a “noite”, talvez seja o que mais simboliza a fé. Ela é marcada pela espera. O fiel é aquele que está sempre à espera do sol. A fé lhe dá certeza de que o sol virá, ou seja, ele vive à espera da manifestação de Deus. A fé faz o fiel confiar que a luz que vai dar sentido para a sua vida está para chegar. E por isso ele já vive a sua presença na espera.
Mas a “espera” do fiel não é uma espera de quem está angustiado, essa experiência não o deprime, pelo contrário, ela o faz viver, pois ele vive da espera. Assim, por mais que esteja escuro lá fora, a luz da fé, que está em seu interior alimenta sua esperança, o que lhe anima e sustenta.

Fagner Dalbem Mapa C.Ss.R

quarta-feira, 19 de março de 2014

SÃO JOSÉ - 19 de março


Nas orações da Legião, o nome de São José vem logo depois das invocações aos Corações de Jesus e de Maria, visto que, também no céu, ocupa junto dele o primeiro lugar.
Chefe da Sagrada Família desempenhou, junto de Jesus e de Maria, funções especiais de importância fundamental.  As mesmas funções, sem tirar nem pôr, continua ele, o maior dos santos, a desempenhá-la junto do Corpo Místico de Jesus, e, da Mãe deste Corpo.

Auxilia e existência e a atividade da Igreja e, por consequência da Legião.  Os seus cuidados são constantes, vitais e caracterizados por uma intimidade familiar.  Depois de Maria não há santo mais influente, e como tal, deve ser estimado pelos legionários.  Para o seu amor mostrar-se poderoso, em cada um de nós, é necessário que o nosso procedimento, para com ele, reflita a compreensão do intenso afeto que nos consagra. 

Jesus e Maria, agradecidos a José, pelos carinhos e trabalhos, traziam-no sempre no coração.  Procedam, do mesmo modo, os legionários.

A solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebra-se a 19 de março; a memória de São José, trabalhador, a 1° de maio.

"Não podemos separar a vida histórica de Jesus, da sua vida perpetuada na Igreja.  Não é sem motivo que os Papas proclamaram São José protetor da Igreja.  Embora tenham mudado os tempos a e as circunstâncias, a sua tarefa continua a ser a mesma de outrora. Com o carinho revelado na execução da sua missão terrena, cumpre hoje sua missão de protetor da Igreja.  A família de Deus, desde os dias de Nazaré, cresceu e dilatou-se até os confins da terra.  O coração de José expandiu-se também,  em harmonia com sua nova paternidade, que prolonga e supera a paternidade prometida por Deus a Abraão, o pai de muitas gentes.  Deus não muda no trato com os homens; não tem pensamentos reservados, nem altera, de qualquer jeito, o seu plano que é uno, organizado, consistente e contínuo.  José, o Pai adotivo de Jesus, é também o Pai adotivo dos irmãos  de Jesus, quer dizer de todos os cristãos, através dos tempos.  José, o esposo de Maria, a Mãe de Jesus, permanece misteriosamente unido a Ela, enquanto realiza no mundo, o nascimento místico da Igreja.  Por isso o legionário de Maria, cujos esforços tendem a alargar o reino de Deus na terra, reclama, com razão, o auxílio especial do chefe da Igreja recém nascida, a Sagrada Família."  (Cardeal L. J. Suenes)


terça-feira, 11 de março de 2014

LEGIÃO DE MARIA - QUARTA-FEIRA DE CINZAS


QUARTA-FEIRA DE CINZAS

1ª Leitura: Jl 2,12-18
Sl 50
2ª Leitura: 2Cor 5,20-6,2
Evangelho: Mt 6,1-6.16-18


“(...) voltai para mim com todo o vosso coração....” (Jl 2,12)

Caríssimos irmãos, hoje tem início, com esta Eucaristia, na quarta-feira de cinzas, um novo tempo no ciclo do ano litúrgico: o tempo da Quaresma.
A Quaresma, palavra de origem latina que significa “quarenta”, nos conduz a duas imagens bíblicas muito fortes: a primeira no AT, a caminhada do povo de Deus no deserto durante quarenta anos até atingir a terra prometida por Deus a Abraão; a segunda imagem está no NT e nela nós temos o próprio Cristo que é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo durante quarenta dias.
A Quaresma é um tempo de purificação, de retorno para Deus, a fim de que possamos celebrar na alegria a Páscoa do Senhor. A primeira leitura, do livro do profeta Joel, nos apresenta bem esse chamado de Deus para nós, o chamado a nos voltarmos para Ele. Assim diz o profeta: “Agora, portanto, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. Este é o tempo da volta. Durante o ano, tantas vezes vamos nos afastando de Deus. Ele nunca se afasta de nós, mas nós nos afastamos d’Ele tantas vezes... Tantas coisas vão se acumulando na nossa vida: apegos, busca desenfreada pelos prazeres deste mundo, ativismo, falta de oração, distrações que nos desviam do Senhor... Nossa vida vai se tornando enlouquecida, ficamos sem rumo. A Quaresma é o tempo de voltarmos à saúde do Espírito, de nos voltarmos para o Senhor, de rasgarmos diante d’Ele o nosso coração e de implorarmos a sua misericórdia. Ele é benigno, Ele é compassivo e cheio de misericórdia como nos diz o profeta, por isso podemos voltar sem medo. O Pai nos espera na Quaresma, para nos conceder o seu perdão, a sua misericórdia, mas nós precisamos querer voltar.
Meus irmãos, Paulo nos diz na segunda leitura que este é o “momento favorável, é agora o dia da salvação”; por isso, não adiemos a nossa volta para o Senhor. Não deixemos para amanhã. Voltemo-nos hoje para o Senhor nosso Deus. E o caminho da volta está apresentado no evangelho. Jesus é o esse caminho de volta para Deus, mas para seguir por esse caminho precisamos da oração, do jejum e da esmola. Jesus aqui critica duramente os hipócritas, ou seja, aqueles que praticam a oração, o jejum e a esmola só para serem vistos pelos outros; e Ele nos exorta a vivermos estas três práticas, na intimidade do nosso relacionamento com Deus a fim de recebermos d’Ele a recompensa.
Estas são as três práticas fundamentais da Quaresma: a oração, o jejum e a esmola.
A oração nos coloca de novo em comunhão com Deus. O pecado não nos pode afastar da oração, pelo contrário, aí é que precisamos ainda mais orar a fim de não continuarmos a cair em tentação. O Salmo 50 que hoje rezamos é uma pela demonstração de alguém que mesmo em pecado não fugiu da face amorosa do Senhor. Davi, depois de ter pecado contra o Senhor pelo adultério com Betsabéia e pelo assassinato de Urias, esposo de Betsabéia, não se afastou do Senhor, mas na sua presença fez essa oração, reconhecendo que estava sempre diante dos olhos do Senhor, mesmo no pecado: “fiz o que é mau aos vossos olhos...” Devemos intensificar a nossa vida de oração na quaresma. Uma oração bíblica, inspirada pela Palavra de Deus. Este é o tempo de redescobrirmos a Palavra de Deus na nossa oração pessoal. Este é o tempo de redescobrirmos o valor dos sacramentos, participando de maneira consciente do sacramento da penitência e de maneira ativa na celebração da Eucaristia. Este é o tempo de redescobrirmos o valor da oração em comum, participando daquelas atividades que nos são propostas pela comunidade.
O jejum, meus irmãos, é a segunda prática que nos é aconselhada pelo Senhor. Deus não precisa do nosso jejum como acham alguns. Deus não precisa do nosso sacrifício para nos conceder os bens que Ele deseja conceder. Ele criou o mundo inteiro sem que existíssemos. Todavia, nós precisamos jejuar. Por que precisamos jejuar? Para sermos senhores do nosso corpo. Muitas vezes é o nosso corpo que nos domina e começa a reinar na nossa vida a gula, a luxúria e a preguiça. Ao abrir mão do prazer dos alimentos, um prazer que não é pecaminoso, aprendemos a regular a nossa sede de prazer e nos tornamos senhores do nosso corpo. Tornando-nos senhores do nosso corpo nos fortalecemos na luta contra o pecado, porque aprendemos a não dar ao nosso corpo tudo o que Ele quer na hora em que Ele quer, ou seja, nos tornamos capazes de trabalhar quando não queremos, de controlar o que a gente vê na televisão e na internet para não cair em pecado, de controlar o nosso impulso sexual, em resumo, o jejum é um grande benefício para nossa saúde espiritual, porque ele fortalece a nossa vontade. Precisamos jejuar também de algumas coisas que nos trazem prazer além do alimento. Este é um excelente exercício para o tempo da quaresma, desde que ele seja realmente exercício e nos eduque a fim de possamos colher os frutos de tudo isso na Páscoa.
A esmola é o terceiro conselho que nos é dado pelo Senhor. Partilharmos aquilo o que possuímos, confiando em Deus que é o doador de todos os bens. As vezes nos tornamos escravos dos nossos bens, por menores que eles sejam; a esmola nos ensina a abrirmos mão de algo que nos pertence em favor do próximo e em última análise ela nos revela que nada do que temos aqui é realmente nosso, porque quando partirmos para o Pai não vamos levar nada do que acumulamos aqui. A esmola também deve ser vivida como um fruto do nosso jejum: o que deixamos de consumir, dividimos com o irmão necessitado.
Peçamos nessa Eucaristia que o Pai derrame sobre nós o Espírito Santo. Somente na força do Espírito podemos trilhar esse caminho. Estamos às vezes desanimados, porque percebemos que tantos bons propósitos da quaresma anterior não foram vividos corretamente. Mas, não deixemos de nos empenhar e de nos comprometer. Não deixemos o desânimo tomar conta de nós. Deixemos que o Espírito Santo tome conta de nós. Ele nos ajudará a trilhar esse deserto. Confiemos no Senhor, e deixemos que Ele crie em nós um coração puro e renovado como diz o salmista.

Pe. Fábio Siqueira (Homilia)
Diretor Espiritual do Senatus RJ